Dipirona - metamizol

A dipirona sódica, que em alguns países é chamada de metamizol sódico, é um analgésico e antipirético muito popular em boa parte do mundo, incluindo no Brasil, onde se encontra na lista das 10 drogas mais vendidas anualmente. Também existem as formas dipirona magnésica e metamizol magnésico, que são basicamente iguais às formas sódicas.

Apesar de ser um medicamento eficaz, extremamente popular e já em comercialização há décadas, a dipirona permanece sendo uma droga polêmica, que foi banida em cerca de 30 países do mundo, incluindo EUA, Japão, Austrália, Inglaterra, Suécia e Colômbia. O motivo da proibição é o risco de agranulocitose, uma complicação rara, mas potencialmente fatal. Ainda assim, a dipirona (ou metamizol) continua sendo amplamente comercializada em países como Brasil, Portugal, México, Espanha, Israel e Rússia, que consideram que a ocorrência da agranulocitose é tão rara, que não justifica a proibição da droga.

Neste artigo vamos fazer uma revisão sobre a dipirona (metamizol), abordando as suas indicações, nomes comerciais, doses, efeitos adversos e interações medicamentosas. Vamos explicar também a polêmica proibição da droga devido ao risco de complicações graves.

Atenção: este texto não pretende ser uma bula da dipirona. Nosso objetivo é ser menos técnico que uma bula e mais útil aos pacientes que procuram informações sobre este popular analgésico.

Nomes comerciais da dipirona e do metamizol

No Brasil, em Portugal e em vários outros países do mundo, a dipirona ou o metamizol já estão disponíveis sob a forma de medicamento genérico. Isso não impede porém, que existam diversas marcas comerciais deste fármaco. Vamos listar abaixo os principais nomes comerciais disponíveis no Brasil (dipirona) e em Portugal (metamizol).

Principais nomes comerciais da dipirona – metamizol:

– Anador.
– Analgex C.
– Baralgin.
– Conmel.
– Dipidor.
– Dipimed.
– Dipironati.
– Dolocalma (Portugal).
– Doralex.
– Dorfebril.
– Dorilan.
– Lomdor.
– Magnopyrol.
– Maxiliv.
– Mirador.
– Nofebrin.
– Nolotil (Portugal).
– Novalgina.
– Santidor.
– Termopirona.
– Termoprim.

Exemplos de medicamentos compostos que apresentam dipirona em sua fórmula:

– Alginac: dipirona sódica + carisoprodol + cianocobalamina + piridoxina + tiamina.
– Atroveran: dipirona sódica + cloridrato de papaverina + extrato fluido de Atropa belladona.
– Benegrip: dipirona sódica + cafeína + maleato de clorfenamina.
– Buscopan composto: dipirona Sódica + butilbrometo de escopolamina.
– Dexalgen: dipirona sódica + dexametasona + hidroxocobalamina.
– Enxak: dipirona sódica + mesilato de diidroergotamina + cafeína.
– Migraliv: dipirona sódica + didroergotamina + cafeína.
– Mionevrix: dipirona sódica + carisoprodol + cianocobalamina + piridoxina + tiamina.
– Nogripe: dipirona sódica + cafeína + maleato de clorfenamina.
– Tropinal: dipirona sódica + butilbrometo de escopolamina + hiosciamina + homatropina.

Para que serve a dipirona – metamizol?

A dipirona é um fármaco que tem potente ação antipirética (contra febre), analgésica (contra dor) e antiespasmódica (contra cólicas), sendo, portanto, uma excelente opção para o tratamento das doenças que provocam febre e/ou dor.

A dipirona tem um efeito antipirético e analgésico semelhante ou até melhor que muitos anti-inflamatórios não-esteroides, sem ter, porém, o risco de causar lesões do estômago e dos rins. Todavia, a dipirona possui um fraco efeito anti-inflamatório, sendo inferior aos anti-inflamatórios no tratamento de doenças claramente inflamatórias, como são os casos das artrites e outras doenças de origem reumática (leia: REUMATISMO – O que é, Sintomas e Tratamento).

Estudos mostram que a dipirona tem bons resultados no controle da dor de origem traumática, odontológica, oncológica e pós-operatória. A dipirona também é uma boa opção para analgesia nos quadros de enxaqueca e nas cólicas de origem renal, intestinal ou uterina.

A dipirona é frequentemente utilizada nos quadros de gripe ou resfriado, seja isoladamente ou em conjunto com outros fármacos, servindo tanto para o controle da febre quanto para as dores no corpo (leia: DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO).

Posologia da dipirona – metamizol

A dipirona pode ser comprada na forma de xarope, gotas, supositórios ou comprimidos. Em geral, as doses podem ser administradas de 8/8h ou 6/6h.

Xarope – solução oral – 50 mg/ml:

  • 5 a 8 kg (3 a 11 meses) → Dose individual de 1,25 a 2,5 ml, sendo a dose máxima diária de 10 ml (2,5 ml 4x por dia).
  • 9 a 15 kg (1 a 3 anos) → Dose individual de 2,5 a 5 ml, sendo a dose máxima diária 20 ml (5 ml 4x por dia).
  • 16 a 23 kg (4 a 6 anos) → Dose individual de 3,75 a 7,5 ml, sendo a dose máxima diária 30 ml (7,5 ml 4x por dia).
  • 24 a 30 kg (7 a 9 anos) → Dose individual de 5 a 10 ml, sendo a dose máxima diária 40 ml (10 ml 4x por dia).
  • 31 a 45 kg (10 a 12 anos) → Dose individual de 7,5 a 15 ml, sendo a dose máxima diária 60 ml (15 ml 4x por dia).
  • 46 a 53 kg (13 a 14 anos) → Dose individual de 8,75 a 17,5 ml, sendo a dose máxima diária 70 ml (17,5 ml 4x por dia).
  • Adultos e adolescentes acima de 15 anos →  Dose individual de 10 a 20 ml, sendo a dose máxima diária 80 ml (20 ml 4x por dia).

Gotas – solução oral – 500 mg/ml:

  • 5 a 8 kg (3 a 11 meses) → Dose individual de 2 a 5 gotas, sendo a dose máxima diária de 20 gotas (5 gotas 4x por dia).
  • 9 a 15 kg (1 a 3 anos) → Dose individual de 3 a 10 gotas, sendo a dose máxima diária de 40 gotas (10 gotas 4x por dia).
  • 16 a 23 kg (4 a 6 anos) → Dose individual de 5 a 15 gotas, sendo a dose máxima diária de 60 gotas (15 gotas 4x por dia).
  • 24 a 30 kg (7 a 9 anos) → Dose individual de 8 a 20 gotas, sendo a dose máxima diária de 80 gotas (20 gotas 4x por dia).
  • 31 a 45 kg (10 a 12 anos) → Dose individual de 10 a 30 gotas, sendo a dose máxima diária de 120 gotas (30 gotas 4x por dia).
  • 46 a 53 kg (13 a 14 anos) → Dose individual de 15 a 35 gotas, sendo a dose máxima diária de 140 gotas (35 gotas 4x por dia).
  • Adultos e adolescentes acima de 15 anos → Dose individual de 20 a 40 gotas, sendo a dose máxima diária de 160 gotas (40 gotas 4x por dia).

Comprimidos (500 ou 1000 mg):

  • Adultos e adolescentes acima de 15 anos → Dose individual de 500 a 1000 mg, sendo a dose máxima diária de 4000 mg (1000 mg 4x por dia).

Supositórios (300 ou 1000 mg):

  • Crianças com mais de 4 anos (16 kg) → Dose individual de 300 mg, sendo a dose máxima diária de 1200 mg (1 supositório de 300 mg 4x por dia).
  • Adultos e adolescentes acima de 15 anos → Dose individual de 1000 mg, sendo a dose máxima diária de 4000 mg (1 supositório de 1000 mg 4x por dia).

A dipirona também pode ser administrada na forma intravenosa, mas essa via é habitualmente restrita a administração hospitalar.

Precauções e contraindicações da dipirona – metamizol

A dipirona é contraindicada nas seguintes situações:

  • Bebês com menos de 3 meses ou menos que 5 quilos.
  • Gravidez.
  • Durante a amamentação.
  • Histórico de alergia à dipirona ou às pirazolonas ou pirazolidinas (ex. fenazona, propifenazona, fenilbutazona e oxifembutazona).
  • Se o paciente tiver histórico de urticária, angioedema ou síndrome de asma induzida por outros analgésicos, tais como salicilatos, paracetamol, diclofenaco, ibuprofeno, indometacina ou naproxeno.
  • Se o paciente tiver alguma doença da medula óssea.
  • Se o paciente tiver deficiência congênita da glucose-6-fosfato-desidrogenase.
  • Se o paciente tiver porfiria hepática aguda intermitente.

Efeitos colaterais da dipirona – metamizol

A dipirona é um medicamento que costuma provocar poucos efeitos colaterais. Além da possibilidade de reação alérgica, que é comum a todos os outros analgésicos e anti-inflamatórios do mercado, o efeito colateral mais relatado costuma ser a queda da pressão arterial, principalmente nos pacientes desidratados ou com problemas cardíacos descompensados.

Agranulocitose provocada pela dipirona

Apesar de ser um fármaco bem tolerado pela imensa maioria das pessoas, a dipirona/metamizol foi proibida em diversos países após alguns relatos de pacientes que desenvolveram agranulocitose.

A agranulocitose é uma situação na qual há uma queda abrupta no número dos granulócitos (neutrófilos, basófilos e eosinófilos), que são algumas formas de glóbulos brancos, células do nosso sistema imunológico responsáveis pelo combate a germes invasores. A agranulocitose induzida pela dipirona, apesar de temporária e reversível, é um quadro potencialmente fatal, pois pode deixar o paciente completamente indefeso contra infecções.

Por que a dipirona ainda é comercializada em vários países

A verdadeira incidência da agranulocitose induzida pela dipirona ainda é desconhecida. Os defensores do fármaco afirmam que o risco de agranulocitose foi superestimado em estudos conduzidos na década de 1970 e que a sua proibição não é baseada em evidências científicas fortes. Estudos mais recentes têm mostrado um risco de 2 casos de agranulocitose a cada 1 a 10 milhões de usuários do medicamento. Isso significa que num país de 200 milhões de habitantes, como o Brasil, se toda a população passasse a tomar dipirona de forma conjunta, teríamos entre 40 a 400 casos de agranulocitose. Em um país de 10 milhões de habitantes, como Portugal, se a população inteira tomasse o metamizol, o número de casos de agranulocitose seria de apenas 2.

Outro argumento em defesa da dipirona é o fato de que várias outras drogas que possuem risco de causar agranulocitose, tais como ticlopidina, clozapina, sulfassalazina e Bactrim (sulfametoxazol + trimetoprima), permanecem no mercado nos países que proibiram a dipirona.

Mais um ponto a favor da dipirona é um estudo publicado em 1998, no Journal of Clinical Epidemiology, que comparou as complicações fatais dos principais analgésicos e anti-inflamatórios do mercado e chegou a conclusão que a dipirona era uma droga mais segura que a aspirina, o diclofenaco e o paracetamol.

Interações medicamentosas da dipirona – metamizol

A dipirona pode causar redução dos níveis sanguíneos de ciclosporina e bupropiona, além de reduzir o efeito de inibição plaquetária da aspirina.

A dipirona não interfere na ação dos anticoncepcionais hormonais.

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Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (U.F.R.J) em 2002. Especialista em Medicina Interna e Nefrologia. Títulos reconhecidos pela Faculdade do Porto, Ordem dos Médicos de Portugal e Colégio de Nefrologia Português.